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Imagens Contemporâneas

Embora esteja presente nos fundamentos do Judaísmo e Cristianismo, o Mal, personificado e corporificado no Diabo e nos demônios só começa a ganhar suas representações imagéticas a partir do século X, antes desse período eles existem nos registros textuais teológicos. A partir do século XI inicia uma longa e lenta construção das características físicas próprias do grande Opositor de Deus. Estes modelos, pensados e depurados pela Igreja e pelo imaginário popular, ao longo de mil anos, chegaram aos nosso dias e foram ressignificados sendo amplamente utilizados nas mídias como forma de entretenimento. Séries de televisão, filmes, sites de internet, games, quadrinhos e animações, parece não existir limites para a apropriação da imagem e história dessa entidade que contemporaneamente perdeu muito de sua personalidade terrivelmente maligna. O Diabo, que durante o Medievo foi instrumento de uma Pedagogia do Medo e de controle social através da ameaça da Condenação Eterna, foi repensado. Transformado em personagens de HQs e animações, deu origem a vilões (Mefisto, Trigon e Vingador), a um simpático diabinho de fraldas (Brasinha), a diabretes debochados e sarcásticos (Luci, Luciraldo e o Diabinho no ombro de Homer) e um  Satã cômico e sensível, com vários problemas pessoais e amorosos (Satã South Park). Em sua releitura contemporânea a encarnação do Mal chegou mesmo a ser transformada em heróis, como no caso de Hellboy, Lúcifer e Sabrina. Esta última, conforme a tradição, enquanto bruxa, deveria ser a agente das vontades perversas de Satanás na Terra. Embora a permanência milenar dessa personagem em nossa cultura tenha possibilitado suavizar seu impacto assustador, deve-se aceitar que ela ainda desperta fascínio e alcança medos profundos e adormecidos em nossas almas e mentes.

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